Pelo menos dez empresas do Nordeste foram selecionadas para a etapa de estruturação dos Planos de Suporte Conjunto (PSC), no âmbito da chamada pública conjunta da Finep e do BNDES

Paulo Goethe

De Recife paulo.goethe@movimentoeconomico.com.br / FONTE: ME

Pelo menos dez empresas com sede, unidade industrial ou operação relevante no Nordeste foram selecionadas para a etapa de estruturação dos Planos de Suporte Conjunto (PSC), no âmbito da chamada pública conjunta da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os projetos visam à implantação, expansão ou atração de centros de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação (PD&I) no Brasil.

As companhias nordestinas estão entre as 100 propostas listadas no Anexo II do resultado oficial divulgado em 15 de setembro. A chamada pública atraiu 618 inscrições e recebeu um total de R$ 57,4 bilhões em investimentos propostos.

Essas dez empresas estão distribuídas em cinco estados do Nordeste, com destaque para a Bahia, que concentra seis projetos (Vipal Nordeste, Nucleon, Digitron, Pontes, Bioma e Amico Saúde), seguida por Pernambuco (1)Ceará (1)Rio Grande do Norte (1) e Alagoas (1). A predominância baiana reflete a força de polos industriais como o Polo de Camaçari, o Polo Agroindustrial de Simões Filho e o Polo de Tecnologia da Informação de Ilhéus.

Apoio federal a centros de pesquisa em expansão

Segundo a Finep e o BNDES, os projetos selecionados somam R$ 10 bilhões em investimentos, sendo R$ 8,9 bilhões com pedido de apoio financeiro. Os recursos devem ser viabilizados por meio de crédito, subvenção econômica, participação acionária e recursos não reembolsáveis.

Do total, 27 propostas preveem atuação nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com investimentos previstos de R$ 4 bilhões. Outros 27 projetos têm como foco a implantação de novos centros de PD&I, totalizando R$ 3,4 bilhões. As iniciativas devem gerar 935 contratações de pesquisadores, sendo 572 mestres e 363 doutores, com atuação em pesquisa aplicada e inovação tecnológica.

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Os projetos nordestinos abrangem setores estratégicos da nova política industrial:

  • Agroindústria e alimentos (Nossa Fruta, Usina Petribu, Pontes Cera, Anidro do Brasil)
  • Biotecnologia e bioinsumos (Bioma)
  • Saúde e equipamentos médicos (Amico Saúde, Nucleon)
  • Energia renovável (Aeris)
  • Tecnologia da informação e eletrônicos (Digitron)
  • Borracha e materiais industriais (Vipal Nordeste)

A diversidade dos setores evidencia o potencial da região para desenvolver tecnologias voltadas à sustentabilidade, exportação, digitalização e inovação de base produtiva.

Próxima etapa será divulgada em outubro

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que o resultado acima do orçamento inicial demonstra o êxito da política industrial em curso. Ele adiantou que novas linhas de crédito estão em estudo para apoiar outras propostas ainda não contempladas.

O presidente da Finep, Luiz Antonio Elias, destacou o interesse de empresas de diferentes portes e regiões, e reforçou a importância de políticas para retenção de talentos científicos no país. A Finep avalia ajustar a chamada “Conhecimento Brasil” para incentivar a contratação e fixação de pesquisadores.

O resultado da estruturação dos Planos de Suporte Conjunto (PSC) será divulgado até 26 de outubro, com definição dos instrumentos de apoio e metas específicas para cada empresa selecionada.

Dez empresas com atuação no Nordeste selecionadas pela chamada Finep–BNDES

Pelo menos dez empresas com sede, unidade industrial ou operação relevante no Nordeste foram aprovadas para a etapa de estruturação dos Planos de Suporte Conjunto (PSC), no âmbito da chamada pública da Finep e BNDES para implantação ou expansão de centros de PD&I.

Aeris (CE)
Sediada em Caucaia (CE), a empresa atua na fabricação de pás eólicas e fornece para multinacionais da cadeia de energia renovável. O projeto deve focar em inovação em engenharia de materiais e processos industriais.

Borrachas Vipal Nordeste (BA)
Unidade do Grupo Vipal, originado no Rio Grande do Sul, com unidade também na Argentina. A fábrica de Feira de Santana (BA) produz compostos para recapagem. O centro de PD&I atuará em novos materiais para mobilidade.

Nossa Fruta Brasil (RN)
Empresa com sede em Mossoró (RN), atua no beneficiamento e exportação de frutas congeladas. O projeto envolve pesquisa em conservação, rastreabilidade e controle de qualidade para frutas tropicais.

Nucleon – Núcleo de Oncologia da Bahia (BA)
Grupo com sede em Salvador, referência em oncologia na região. O projeto prevê a estruturação de um centro de pesquisa clínica voltado a tratamentos personalizados e desenvolvimento terapêutico.

Usina Petribu (PE)
Grupo tradicional do setor sucroenergético, com sede em Lagoa de Itaenga (PE). O centro de PD&I deve focar em inovação agrícola, automação no campo e aproveitamento de resíduos.

Digitron da Amazônia (BA)
Empresa com sede no Amazonas, mas com operação fabril em Ilhéus (BA), no Polo de Tecnologia da Informação. Atua na montagem de eletrônicos. O projeto deve focar em hardware nacional e soluções embarcadas.

Pontes Indústria de Cera (BA)
Sediada em Itabela (BA), atua na produção de cera de carnaúba e derivados naturais. O centro de PD&I será voltado à inovação em processos sustentáveis de extração e formulação.

Amico Saúde (BA)
Empresa com sede em Salvador (BA), especializada em soluções médicas e tecnologias para a saúde. A proposta de PD&I será voltada ao desenvolvimento de equipamentos e inovação assistiva.

Bioma Indústria e Comércio (BA)
Sediada em Simões Filho (BA), atua com bioinsumos e biotecnologia agrícola. O centro de PD&I deve desenvolver defensivos e fertilizantes biológicos adaptados ao clima tropical.

Anidro do Brasil Extrações S.A. (AL)
Empresa sediada em Arapiraca (AL), especializada na extração de óleos essenciais e ativos naturais. O projeto prevê estruturação de PD&I voltada à aplicação desses insumos em fitoterápicos, cosméticos e alimentos.

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