Empresa S&D abriu unidade com capacidade de processar 6 mil metros cúbicos de madeira de reflorestamento por mês

Vanessa Siqueira

De Alagoas vanessa.siqueira@movimentoeconomico.com.br / FONTE: ME

Grupo S&D investiu em indústria em Alagoas para operar com madeira de reflorestamento
Grupo S&D investiu em indústria em Alagoas para operar com madeira de reflorestamento. Foto: Assessoria

A paisagem agrícola de Alagoas, historicamente marcada pelo domínio da cana-de-açúcar, começa a ganhar novos contornos. Um movimento que teve ensaios ainda nos anos 2000, quando se tentou o cultivo de eucalipto consorciado com a cana, hoje ganha força com a chegada de um empreendimento inédito no Estado: a S&D Madeiras Nordeste. Instalada em Maceió, no antigo parque industrial da Usina Cachoeira do Meirim, no Benedito Bentes, a empresa é a primeira indústria 100% automatizada de tratamento de madeira do Brasil, operando exclusivamente com matéria-prima de reflorestamento.

Nos anos 2000, o local foi cenário de tentativas pioneiras de cultivo de eucalipto consorciado à cana. Na época, o projeto não prosperou. Hoje, com tecnologia de ponta e respaldo legal, a indústria se torna realidade.

Segundo dados do setor, Alagoas já conta com cerca de 35 mil hectares de eucalipto plantado, consolidando-se como líder em área cultivada no Nordeste. Com capacidade instalada para processar até 6 mil metros cúbicos de madeira por mês, a unidade da S&D Madeiras traz um modelo de negócio diferenciado para Alagoas.

O processo de tratamento utiliza autoclaves de vácuo e pressão, impregnando o eucalipto com CCA (arseniato de cobre cromatado). O resultado é uma madeira com durabilidade e resistência equivalentes às de espécies nobres como ipê ou jatobá, mas com a vantagem de ser produzida a partir de florestas plantadas, sem impacto sobre áreas nativas.

“A S&D Madeiras Nordeste é um marco para Alagoas. Além de gerar mais de 100 empregos logo nos primeiros meses de instalação, agregamos todo potencial do nosso Estado com o know-how do Grupo S&D, de Minas Gerais. Estamos falando de uma indústria que não gera resíduos ao meio ambiente, e cuja matéria-prima vem exclusivamente de reflorestamento”, afirma Otávio Tavares, diretor executivo da empresa em Alagoas.

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Grupo S&D trouxe para Alagoas iniciativa pioneira para apostar em uso de madeira de reflorestamento
Grupo S&D trouxe para Alagoas iniciativa pioneira para apostar em uso de madeira de reflorestamento. Foto: Divulgação

A empresa já fornece madeira tratada para diferentes setores, indo da construção civil à agropecuária e destina parte da produção a serrarias que abastecem fábricas de móveis, pallets e colchões. Esse encadeamento multiplica os efeitos do investimento, fortalecendo toda a cadeia produtiva local. Atualmente, a S&D Madeiras já atua nos mercados de Pernambuco, Paraíba e Sergipe, com planos de ampliar a presença regional e atingir a capacidade máxima prevista em até dois anos e meio.

Madeira de reflorestamento impulsiona agronegócio e indústria moveleira

O uso da madeira de reflorestamento traz uma série de vantagens. Além da previsibilidade no fornecimento, garante conformidade com a legislação ambiental, reduzindo riscos para indústrias que antes dependiam de madeira nativa ou de origem duvidosa. Do ponto de vista ambiental, contribui para a conservação da biodiversidade, ao mesmo tempo em que promove a absorção de carbono e o sequestro de gases de efeito estufa.

Entre as aplicações, estão cercas, postes, mourões para a agricultura, além de usos industriais mais sofisticados quando combinados a processos de beneficiamento. Na construção civil, o eucalipto tratado em autoclave já é considerado uma alternativa competitiva para estruturas temporárias e permanentes.

Segundo informações confirmadas pela Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços (Sedics), a S&D Madeiras é a única empresa atuando neste segmento em Alagoas, o que lhe confere papel estratégico na consolidação dessa nova cadeia produtiva.

Ao reunir tradição agrícola, inovação tecnológica e respaldo legal, Alagoas abre caminho para reposicionar sua economia e diversificar a matriz produtiva. O avanço do reflorestamento de eucalipto, aliado ao tratamento industrial da madeira, reduz pressões sobre florestas nativas e cria oportunidades de negócios alinhados à pauta ambiental global.

Unidade instalada em antigo parque industrial de usina tem capacidade e processar até 6 mil metros cúbicos de madeira por mês
Unidade instalada em antigo parque industrial de usina tem capacidade e processar até 6 mil metros cúbicos de madeira por mês. Foto: Assessoria

Governo de Alagoas regulamenta reposição florestal e crédito ambiental

Esse movimento empresarial encontra respaldo em uma regulamentação recém-publicada pelo Governo de Alagoas. No início de agosto, o governador Paulo Dantas assinou decreto que regulamenta os procedimentos de reposição florestal e a concessão de créditos ambientais no estado. A medida dá segurança jurídica e técnica ao processo de compensação ambiental, obrigando que pessoas físicas e jurídicas que utilizem matéria-prima de origem vegetal façam reposição equivalente à vegetação nativa suprimida.

A reposição poderá ser feita pelo plantio direto de florestas ou pela compra de créditos de reposição florestal, formalmente reconhecidos pelo Instituto do Meio Ambiente (IMA/AL). O decreto também prevê a criação de créditos ambientais a partir de plantios de espécies nativas, que poderão ser utilizados ou comercializados no mercado.

Os critérios buscam valorizar a diversidade: projetos com monocultivo terão direito a 100 metros cúbicos de crédito por hectare, enquanto plantios com dez ou mais espécies nativas poderão gerar até 200 metros cúbicos por hectare. A medida abre caminho para um mercado formal de compensação ambiental em Alagoas, com potencial de fomentar o reflorestamento de áreas degradadas, reservas legais e zonas de proteção.

Agricultores familiares terão condições especiais, estando dispensados de inventários florestais em áreas de até 20 hectares e de reposição no caso de consumo próprio. Mulheres proprietárias e agricultores vinculados a programas de regularização ambiental terão prioridade na análise de projetos, estimulando a inclusão produtiva e o protagonismo feminino no campo ambiental.

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