Presidente da entidade, Ricardo Alban, pede estabilidade institucional para preservar investimentos e crescimento

FONTE: INDÚSTRIA NEWS

por GERALDO BASTOS

 Confederação Nacional da Indústria (CNI) fez um alerta  diante do agravamento das tensões institucionais em Brasília e pediu “bom senso e responsabilidade” das autoridades na condução do país. Em posicionamento assinado pelo presidente da entidade, Ricardo Alban, a CNI afirma que o momento exige equilíbrio, transparência e decisões que preservem a estabilidade das instituições e não comprometam o desenvolvimento econômico.

Sem entrar diretamente no mérito dos episódios recentes envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), Alban classificou o atual cenário como um teste para as instituições brasileiras e demonstrou preocupação com os efeitos das sucessivas crises políticas sobre a confiança da população e o ambiente necessário para investimentos.

“A República enfrenta um teste de integridade inédito. As sucessivas crises que ocorrem em Brasília colocam as instituições em risco”, afirma o presidente da CNI.

Para a entidade, a condução dos próximos passos deve considerar não apenas os aspectos políticos e jurídicos das disputas, mas também seus impactos sobre a economia. Alban defende que as decisões públicas estejam orientadas para o aumento da competitividade e da produtividade, a geração de empregos e a criação de condições para novos investimentos.

Agenda econômica

No documento, a CNI afirma que questões políticas, eleitorais e crises institucionais não podem paralisar o desenvolvimento do país nem fazer o Brasil perder oportunidades no cenário internacional.

A entidade também defende que as discussões relacionadas à crise sejam conduzidas de forma pública e transparente, com amplo espaço para os esclarecimentos e o direito de defesa.

“A convivência social pacífica depende da atuação diária, imparcial e equilibrada da Justiça”, diz Alban.

A preocupação da indústria está relacionada ao impacto que um ambiente de instabilidade pode produzir sobre decisões de investimento, planejamento empresarial e confiança dos agentes econômicos. Para o setor produtivo, previsibilidade institucional e segurança jurídica são elementos importantes para a definição de projetos de longo prazo.

Metas fiscais e políticas econômicas 

Alban também aproveitou o posicionamento para defender uma convergência entre os diferentes setores da sociedade em torno de uma agenda econômica de longo prazo.

O presidente da CNI convocou Poderes constituídos, empresários e trabalhadores a buscar consenso em torno de temas considerados estratégicos, entre eles o estabelecimento de metas fiscais e políticas econômicas estruturantes capazes de sustentar investimentos e crescimento.

Na avaliação da entidade, esse processo precisa ocorrer com respeito ao direito de defesa e sem influência político-partidária.

O alerta ocorre em um momento em que o país se aproxima de um novo ciclo eleitoral, aumentando a disputa política e a possibilidade de que temas institucionais se misturem à agenda econômica.

“Precisamos manter a esperança”, diz Alban

Apesar do tom de preocupação, o presidente da CNI encerra o posicionamento defendendo que o país preserve a capacidade de construir uma agenda de desenvolvimento.

Para Alban, o momento deve ser tratado como uma oportunidade para uma inflexão na trajetória brasileira, com foco em oportunidades econômicas e sociais para as próximas gerações.

“Definitivamente, somos todos brasileiros e brasileiras e devemos continuar acreditando que vale a pena”, conclui.

O QUE FICA DESSA HISTÓRIA

A manifestação da CNI revela uma preocupação que vai além da disputa política em Brasília. Para o setor produtivo, crise institucional também é uma questão econômica, porque confiança, previsibilidade e segurança jurídica influenciam diretamente decisões de investimento e projetos de longo prazo.

O recado de Alban é, portanto, menos sobre tomar partido na crise e mais sobre estabelecer limites para que a instabilidade política não contamine a agenda econômica. A indústria cobra das instituições capacidade de resolver conflitos dentro das regras democráticas e, ao mesmo tempo, manter o país funcionando.

Num cenário de juros elevados, desafios fiscais e competição internacional por investimentos, a previsibilidade passa a ser um ativo econômico tão importante quanto crédito, infraestrutura e produtividade.

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