A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) disponibilizou nesta terça-feira (25) o relatório com o balanço das atividades realizadas pela Autarquia entre janeiro e junho de 2026

FONTE: ME / Da Redação ME
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Energia, indústria farmacêutica, produtos químicos e alimentos concentraram R$ 5,05 bilhões, ou 83,6%, dos R$ 6,049 bilhões em investimentos registrados nos projetos que receberam incentivos fiscais da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) no primeiro semestre de 2026. O relatório com o balanço das atividades realizadas pela Autarquia entre janeiro e junho, disponibilizado nesta terça-feira (25), mostra também a distribuição territorial desses investimentos: Minas Gerais e Bahia responderam juntas por R$ 4,08 bilhões, enquanto Pernambuco aparece em terceiro lugar, com R$ 626,99 milhões.
Os valores representam investimentos informados pelas empresas cujos pleitos foram aprovados entre janeiro e junho, e não o montante da renúncia fiscal concedida pela autarquia. No período, a Diretoria Colegiada da Sudene aprovou 133 pleitos, sendo 105 pedidos de redução de 67,5% do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e 28 pedidos de reinvestimento de 27% do imposto.
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O número de pleitos diminuiu em relação ao primeiro semestre de 2025, quando foram aprovadas 163 solicitações, mas o investimento registrado aumentou de R$ 2,720 bilhões para R$ 6,049 bilhões. No mesmo comparativo, o total de empregos vinculados aos empreendimentos passou de 45.962 para 35.317, incluindo criação e manutenção de postos de trabalho.
Energia concentra R$ 2,05 bilhões
A infraestrutura reuniu R$ 2,190 bilhões em investimentos registrados, com predomínio do setor elétrico. Energia respondeu por R$ 2,052 bilhões, equivalente a 93,7% dos investimentos em infraestrutura contemplados pelos incentivos. Transportes aparecem com R$ 105,40 milhões, produção de gás com R$ 16,62 milhões, telecomunicações com R$ 11,67 milhões e água e esgotamento sanitário com R$ 4,23 milhões.
Na Bahia, a Asa Branca Transmissora de Energia S.A. registrou R$ 869,8 milhões para implantação de uma linha de transmissão. O empreendimento envolve 924,12 quilômetros, dos quais 908,52 quilômetros ficam na área de atuação da Sudene, e conecta instalações em Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo.
Outro projeto destacado no relatório é o da MEZ 1 Energia S.A., com R$ 586 milhões em investimentos. O sistema possui aproximadamente 145 quilômetros de linhas de transmissão e 4 subestações. A estrutura inclui uma linha de 500 kV, com cerca de 105 quilômetros, entre Sapeaçu e Camaçari IV, e outra de 230 kV, com aproximadamente 40 quilômetros, entre Camaçari IV e Pirajá, em Salvador.
No Rio Grande do Norte, a Eólica Boa Esperança I registrou R$ 384,6 milhões para modernização do parque instalado em Jardim de Angicos. O empreendimento reúne 14 aerogeradores de 2,2 MW, totalizando 30,8 MW de capacidade instalada. O relatório informa fator médio de capacidade de 53,9% e geração anual estimada em 145.534,44 MWh.
Farmacêutica puxa investimentos em Minas Gerais
A indústria farmacêutica respondeu por R$ 2,082 bilhões, ficando praticamente no mesmo patamar dos investimentos registrados em energia. O resultado decorre principalmente da implantação de uma unidade da Eurofarma Laboratórios S.A. em Montes Claros, na área mineira de atuação da Sudene. O empreendimento registra investimento de R$ 2,079 bilhões.
O projeto da Eurofarma também explica a liderança territorial da área de Minas Gerais atendida pela Sudene. Foram R$ 2,135 bilhões distribuídos entre 7 pleitos no primeiro semestre. O valor supera o registrado em estados com quantidade maior de projetos beneficiados e mostra a concentração financeira provocada por investimentos industriais de maior escala.
Químicos e alimentos completam concentração
A fabricação de produtos químicos registrou R$ 532,13 milhões em investimentos, enquanto alimentos e bebidas somaram R$ 253,20 milhões, segundo a tabela setorial do relatório. Com energia, indústria farmacêutica e esses dois segmentos, o volume alcança aproximadamente R$ 5,05 bilhões, correspondente a 83,6% de todos os investimentos registrados no período.
O texto analítico da própria Sudene registra, porém, R$ 507,9 milhões para alimentos e bebidas e informa que infraestrutura, farmacêutica, alimentos e produtos químicos responderam por 79,4% dos investimentos. A tabela detalhada do relatório apresenta números diferentes para alimentos e recompõe participação de 83,6%. O cálculo utilizado nesta matéria considera os valores discriminados na tabela setorial do documento.
Entre os demais setores aparecem têxtil, com R$ 266,82 milhões; minerais não metálicos, com R$ 159,61 milhões; fabricação de máquinas e equipamentos, com R$ 145,23 milhões; turismo e hotelaria, com R$ 116,94 milhões; celulose e papel, com R$ 83,82 milhões; e eletroeletrônica e informática, com R$ 76,46 milhões.
Bahia lidera número de pleitos na Sudene
A Bahia registrou 35 pleitos, o maior número entre os estados, associados a R$ 1,944 bilhão em investimentos. Na sequência em quantidade de aprovações aparecem Ceará, com 24; Espírito Santo, com 18; Pernambuco, com 12; Paraíba, com 11; e Rio Grande do Norte, com 10.
Em valor, depois de Minas Gerais e Bahia, Pernambuco aparece com R$ 626,99 milhões, seguido pelo Rio Grande do Norte, com R$ 441,72 milhões; Ceará, com R$ 345,77 milhões; Paraíba, com R$ 290,97 milhões; e Espírito Santo, com R$ 189,61 milhões. Sergipe, Alagoas, Piauí e Maranhão completam a distribuição dos investimentos.
Em Pernambuco, o maior investimento foi registrado pela Orizon Biometano Jaboatão dos Guararapes Ltda., com R$ 496,4 milhões para implantação, construção e operação de uma planta industrial de produção de biometano em Jaboatão dos Guararapes. O empreendimento responde por parcela majoritária dos investimentos vinculados aos incentivos aprovados no estado no semestre.
Pernambuco lidera empregos vinculados aos incentivos
Os 133 pleitos aprovados estão associados à criação ou manutenção de 35.317 postos de trabalho, dos quais 27.017 diretos e 8.300 terceirizados. Pernambuco lidera esse indicador, com 7.680 empregos, seguido pelo Ceará, com 6.398; Bahia, com 5.698; Paraíba, com 4.999; e Espírito Santo, com 4.977.
A maior parcela dos investimentos está vinculada à implantação de novos empreendimentos. Foram R$ 5,103 bilhões em 59 projetos dessa modalidade, responsáveis por 5.031 novos empregos, sendo 3.694 diretos e 1.337 terceirizados. Outros R$ 821,03 milhões foram registrados em projetos de modernização total.
O primeiro semestre de 2026 também foi o primeiro integralmente submetido à Lei Complementar nº 224/2025, que reduziu de 75% para 67,5% o benefício de redução do IRPJ e de 30% para 27% o percentual destinado ao reinvestimento. O relatório da Sudene alerta ainda que a continuidade desse instrumento depois de 2028 passou a depender da relação entre renúncia fiscal e PIB, atualmente indicada no documento em 4,3%, diante de uma referência de 2% estabelecida pela legislação.
O PLP 179/2026, apresentado na Câmara dos Deputados em 18 de junho de 2026, propõe retirar os incentivos de IRPJ vinculados às políticas de desenvolvimento regional da redução estabelecida pela nova legislação. A tramitação do projeto e a aplicação das regras fiscais permanecem como os próximos pontos de acompanhamento para empresas com projetos incentivados na área da Sudene.
*Com informações da Sudene
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